Livros

Não

R$9,90

Bem-vindo ao big bang verbal de Jaime Brasil, leitor. Com seu título peremptório e sua recusa programática do lirismo institucional — em que certa poesia ainda teima em se escrever “flores” —, o poeta de “Não” recolhe os estilhaços do mundo, ciente de que “estão com defeito todos os fechos da realidade”, e descrente de alumbramentos. Irmanando-se à antipoesia de Nicanor Parra, Brasil procede também pelo método eliotino da montagem, disparando imagens e espraiando seu delírio progressivo numa profusão de poemas sem título, brindando “ao mais ou menos que temos/antes que eu me dê por satisfeito”. Porém, o poeta cético não corre esse risco: “nunca tive uma fase de oásis”, afirma, “pois tudo na areia é caminho”; no entanto, prefere, “de grão em grão, fabricar meu próprio deserto”. Esse verso axiomático bem poderia definir a ars poetica de JBF, cuja práxis se compraz também na orquestração de células sonoras ou de palavras contíguas, bebendo de um “oceano abissal de absinto”, num “absoluto luto diário, que soluça sem solução”. Girando sem cessar na constelação de signos, “mordendo a carne de utopias recém-abatidas”, o poeta percorre o “caos cotidiano que parece natural e civilizado”, e nos adverte que “é do curtume que saem os meus mais caros perfumes”. A cada passo, relances da realidade vão rompendo o véu de Maya, e o poema dá conta de que “a fé move montanhas de dinheiro / e exércitos marcham sobre cadáveres de crianças”. Nessa litania laica, em que a poesia passa por ”sussurro rouco reverberando no oco de um coco / mas é o que tenho a oferecer”. o poeta recusa ainda qualquer conciliação: “pensar se depois do fim vai ser legal? / quero não, querubim”. No entanto, ao fim e ao cabo, “cada um se mostra conforme se esconde”, e ela, poesia, aflora sempre: “ara o ar, esculpe a água, fluidifica a terra”; assim como “uma nuvem grávida dá à luz um arco-íris”. Sim, a criação é contínua no universo negativista de Jaime Brasil.

Texto de Luiz Roberto Guedes.

Não suma

R$4,90

“Às vezes gostar de mulher também é uma doença. Quem me disse, e mais de uma vez, foi o Pedro. Nunca o chamei pelo nome artístico, não vou chamar agora.” Assim começa o divertido e contundente conto de Luís Henrique Pellanda, um dos grandes contistas e cronistas da nova geração.

Pellanda nasceu em Curitiba (PR), em 1973. É escritor e jornalista, formado pela PUC-PR. Escreveu os livros O macaco ornamental (contos, Bertrand Brasil, 2009), Nós passaremos em branco (crônicas, Arquipélago Editorial, 2011) e Asa de sereia (crônicas, Arquipélago). Foi cronista e co-editor do site Vida breve, de 2009 a 2011, e subeditor e colunista do jornal literário Rascunho, de 2005 a 2011. Editor do blog de literatura e música Eletroficção, também é cronista da revista Topview e colaborador da Gazeta do Povo, do Rascunho e do Suplemento Pernambuco. Como repórter, teve passagens pelos jornais Primeira Hora e Gazeta do Povo, onde trabalhou nas editorias de cultura.

Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.

Não vou falar sobre isto, mas por exemplo

R$4,90

Autora dos livros de contos Precioso impreciso (Ciência do acidente), Inescritos (Travessa dos editores), Vozes num divertimento (Travessa dos editores) e Acasos pensados (Kafka edições), Luci Collin é uma das grandes vozes do conto contemporâneo. É pós-doutora em literatura irlandesa pela USP e já traduziu Gary Snyder, Gertrude Stein, e. e. Cummings, Eiléan Ní Chuilleanáin e Jerome Rothenberg, dentre outros. Não vou falar sobre isto, mas por exemplo é uma conversa de muitos caminhos: uma amostra das muitas possibilidades daquilo que podemos chamar de conto.

Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.

Nebulosa fauna e outras histórias perversas

R$35,00

Nebulosa fauna & outras histórias perversas é um pequeno volume de contos, dez no total, que, trazendo histórias amorais, cruéis, acaba compondo um painel da nossa patética realidade. Da criança que descobre o amor pelo contato com um inseto sujo ao autor frustrado que se sente impotente diante das exigências do mercado, os contos vão desenhando personagens de profunda humanidade enfrentando o mal estar de ser civilizado. Assim, o leitor poderá descobrir o amor que ainda não ousa dizer o nome na amizade de dois velhos. O resgate de um antigo e imprescindível gesto perdido no tempo. As pequenas histórias trágicas que acontecem simultaneamente numa noite fria na rodoferroviária de Brasília. A tocante história de um burro e uma cachorra no céu dos bichos, num pequeno exercício de metalinguagem. São dez histórias perversas que nos ajudam a ver, nas brechas da luz do real, as pequenas crueldades que se escondem no dia a dia.

Nem parece que acontece

R$11,90

Neste livro surpreendente, Olga Curado junta retalhos de conversas casuais em circunstâncias aparentemente comuns do dia a dia. São relatos que vão do chocante ao absurdo, do assassinato do marido traidor ao encontro de velhinhas com vampiros, construídos na forma do diálogo. Porém, nesta obra nada é óbvio. Uma espécie de “vida como ela é” se descortina aos poucos conforme atravessamos as camadas de situações inesperadas que vão sendo costuradas num cotidiano cheio de humor desconcertante.

Nenhum olho me verá

R$11,90

Com a mesma tensão formal de seu romance Tempo de espalhar pedras, nesta novela Estevão Azevedo explora certa dialética da visão. A história narra os dilemas da escolha de um caminho científico pela filha de um pastor evangélico.

Afinal, o que é a visão? É produto objetivo da capacidade mecânica do olho, ou é fruto da revelação divina?

Estevão investiga o sentido mais valorizado da experiência humana – a visão – em uma novela que toca em um tema sobre o qual a literatura brasileira contemporânea ainda mantém silêncio: as profissões de fé evangélicas.

Este livro integra o Selo JOTA, que teve sua ideia original inspirada no pioneiro e consagrado Oulipo, grupo de escritores entre os quais se incluíam Italo Calvino, Raymond Queneau e Georges Perec. Todos os livros do JOTA partem de um desafio, de restrições narrativas que, por paradoxal que pareça, atuam de maneira a incrementar o texto ficcional. Curadoria de Noemi Jaffe.

Ninguém é sol usando máscara

R$30,90

A autora já vinha escrevendo pequenas histórias como se fossem cartas para sua prima, Lia. Mas essa ainda não era uma forma que desse conta da intensidade e complexidade das dores físicas e emocionais que passaram a marcar seu cotidiano.

Foi então que a poesia resgatou a potência antiga do cantar e da performance e se abriu num enorme horizonte de possibilidades, recursos, sentidos…

R$29,90

Marília e todo o seu amor por Lourenço vão nos ensinando o caminho brutal da perda de um bebê real, o fim de um sonho por nove meses acalentado. Em uma sequência de sentimentos e confissões, ela nos coloca, como testemunhas silenciosas…

Nos olhos de Júlia

R$4,90

“Na época em que eu estava mais envolvido no trabalho com a pintura, meus amigos sempre perguntavam em minhas vernissages, com um ar de perplexidade, como eu conseguia sair de uma tela em branco e chegar àquelas imagens acabadas.” Assim começa mais uma brilhante narrativa de Rafael Gallo, vencedor do Prêmio SESC de Literatura 2011 com a coletânea de contos Réveillon e outros dias.

Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.

Nos vemos em Marduk

R$42,90

Convidada a escrever a biografia de Hilda Hilst — autora que marcou sua trajetória e imaginário —, uma escritora se vê diante de uma tarefa impossível. Pressionada pela responsabilidade de narrar a vida de um mito literário, ela entra em colapso, abandona a família e se refugia na Casa do Sol, antiga morada de Hilda…

Nossa Teresa

R$19,90

Micheliny Verunschk é conhecida pela sólida voz poética. Nesse romance de estreia, no prosaico, na história da vida, a poeta também chega para ficar. A personagem Teresa é uma adolescente cujos desejos quase não chegam a sê-los, pois são espontaneamente saciados de saída, como os anseios dos anjos, por isso são anjos. A moça é vidente, opera milagres e vai surgindo líquida, contada por um velho que…

Nove tiros em Chef Lidu

R$14,90

Esta apresentação, redigida por mim, João Anzanello Carrascoza, tem um só objetivo: incentivar você, leitor, a saltar logo para as páginas de “Nove Tiros em Chef Lidu”, romance policial de Paula Bajer Fernandes. Uma obra que tem tudo para magnetizar a imaginação de quem gosta de tramas engenhosas, mas que, dispensando os cenários exóticos – o desfecho todavia será em Paris –, emergem do cotidiano de cidades como São Paulo. E nada deixam a desejar aos clássicos do gênero, ainda que não sigam a sua receita. Sim, a história relatada por Elvis Prado Lopes, auxiliar do Dr. Magreza, delegado que conduz a investigação sobre o assassinato do dono da Brasserie Lidu, plasma às avessas o estilo detetivesco. Elvis é escrivão, mas ao contrário do hermetismo dos inquéritos, seu relato é direto, límpido, com diálogos coloquiais, e o romance é a “sua” versão, não oficial (mas depois aceita?), da história. Oposto a Bartleby, o escrivão de Melville e sua inércia (“acho melhor não”), Elvis não se contenta com as diligências do Dr. Magreza e sai em ação, por conta própria, para descobrir quem matou Chef Lidu. Aliás, Elvis se vale de muitos parênteses (pistas falsas?), revelando uma voz que o tempo inteiro ironiza e homenageia o cânone do gênero. Assim, todos os personagens relevantes são suspeitos: Darlene, a mulher de Lidu (com ciúmes de Monalisa, nova funcionária da brasserie), Monalisa (de olho na posição da outra?), Ronald, namorado de Monalisa (será que ela é amante de Lidu?) e até mesmo o Dr. Magreza (que, na juventude, teve um caso com Darlene). Enfim, eis uma teia de relações que faz a narrativa avançar em vertigem, com referências explícitas e veladas aos heróis noir, levando o leitor a rir e a desconfiar de tudo e de todos. “Nove Tiros em Chef Lidu”, de Paula Bajer Fernandes: romance policial que vai garfar a sua atenção da primeira à última página. Digo e dou fé.

O ano em que vivemos perigosamente

R$0,00

Marketing, negócios e a certeza de que sairemos transformados

Reunião de artigos inquietantes do jornalista e empresário Pyr Marcondes para o ProXXIma e para a Exame revelam desafios da Transformação Digital e o futuro da tecnologia e da inovação nas empresas.

Os temas variam de 5G, internet das coisas, cidades inteligentes, inteligência artificial, internet e computação quântica e a exponencialidade tecnológica até como…

O apartamento semivazio

R$4,90

Nas entrelinhas de um relacionamento, Marcelo Barbão investiga as palavras não ditas, as ausências e a própria fuga da palavra: o refúgio de quem abandona a escrita. Formas Breves é um selo digital dedicado ao gênero conto. Seu único princípio é a qualidade. Com traduções diretas e exclusivas de grandes clássicos do conto universal ou com narrativas da nova geração de escritores em língua portuguesa, Formas breves é um ancoradouro desta galáxia chamada conto.

O ator impuro

R$9,99

O que quer o público de teatro? Até que ponto o teatro é uma ameaça ao fascismo e à intolerância? O que é um bom ator? São algumas das questões abordadas nos quatro ensaios que compõem O Ator Impuro, do dramaturgo e pesquisador Afonso Nilson B. de Souza.

Neste livro, o autor reflete sobre algumas das questões mais urgentes para as artes cênicas no…

O brilho das velhices LGBT+

R$44,90

Vivências e narrativas de pessoas LGBT 50+

Quem são essas pessoas, onde elas estão e como vivem? Quem tem direito às velhices LGBT+? Nós estamos em busca dessas respostas. O cuidado psicossocial dessas velhices é nosso maior propósito. Entendemos que essas vidas se encontram em um lugar onde não costumam ser vistas, ouvidas e muito menos apoiadas. Quando criamos o projeto deste livro, a proposta foi ouvir os relatos dessas pessoas “invisíveis”, na contramão do apagamento social imposto…

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