A autora já vinha escrevendo pequenas histórias como se fossem cartas para sua prima, Lia. Mas essa ainda não era uma forma que desse conta da intensidade e complexidade das dores físicas e emocionais que passaram a marcar seu cotidiano.
Foi então que a poesia resgatou a potência antiga do cantar e da performance e se abriu num enorme horizonte de possibilidades, recursos, sentidos e subtextos tão bem trabalhados nesse Cartas para Lia. Ou Ninguém é Sol Usando Máscara. Cresce no texto, o dia a dia da mulher madura e sua percepção profunda de um presente em pedaços, de uma “velha vida nova”, uma “existência a conta gotas”.
Ninguém é Sol Usando Máscara nos traz ainda uma novidade importante: a edição poética, na qual formas de edição técnica intervém no processo de construção dos versos promovendo, no texto original, paradas inesperadas, recuos improváveis e muito mais, fixando uma forma de co-autoria inovadora.
Ninguém é Sol Usando Máscara, um livro belo e sofrido, uma surpresa boa nestes tempos tristes. Não perca.


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