Júlia foi sequestrada quando acreditou num imaginário emprego como recepcionista de um transatlântico de luxo. Traficada e transformada em escrava sexual, foi vendida e revendida para várias quadrilhas da Ásia e da Europa. Depois de anos passando pelas mais variadas formas de sofrimentos e humilhações, foi novamente comprada pela mesma organização criminosa que a sequestrou, e foi trazida de volta para a América. Escapou do cativeiro e conseguiu reorganizar sua vida tornando-se próspera e rica intermediadora de negócios, aproveitando-se do alto índice de corrupção dos governantes de países da América Central, América do Sul e da África Austral. Por suas ligações com pessoas poderosas e influentes, descobriu a identidade do chefe da organização criminosa, e iniciou um plano de vingança inusitado, usando de recursos técnico-científicos sofisticados e incomuns. Mas ela não previu que poderia ao final perder o controle sobre suas próprias emoções, e que terminaria fazendo tudo de forma diferente da que tão minuciosamente planejara. Júlia, desenrola-se na linha de fronteira do México com os Estados Unidos, onde opera a organização criminosa que atua no continente americano com tráfico de mulheres e seus desdobramentos.
comum de dois
R$11,90A fina ironia de Noemi Jaffe escapa às classificações tradicionais de gêneros literários.
Sessenta textos curtos escritos na forma de diálogos — em seu novo livro a autora mostra toda a sua destreza em manejar as armas do humor. Não qualquer humor, mas aquele fino e agudo, tão raro nos dias de hoje, que, segundo Wittgenstein, é toda uma visão de mundo.
Diálogos entre casais, que engenhosamente não revelam o gênero dos envolvidos, provocam o riso que leva à reflexão. Misturando a todo tempo questões em registro erudito com preocupações banais do cotidiano, Noemi entra de forma inesperada em alguns debates centrais deste início de século: a rapidez das novas mídias que não permitem o tempo necessário de meditação para a compreensão de questões abstratas profundas; o valor do conhecimento em tempos de self made man e autoajuda; o valor da comunicação como geradora de consenso para resolver problemas.
A autora consegue levar o leitor a locais inesperados, por meio de pinceladas rápidas e ágeis. Uma leitura deliciosa e divertida, mas, acima de tudo, extremamente pertinente para aqueles que querem pensar o destino da herança moderna em tempos de comunicação total.


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