Andre de Lemos Freixo inaugura sua bibliografia ficcional com textos de diversas épocas de sua trajetória. Em tempos de “positividades” tóxicas e charlatanismos mil, o autor mobiliza o desconforto como principal ferramenta para esculpir suas imagens através das palavras. Um livro “pesado e triste”, um “estorvo” e até, por vezes, “desagradável”, segundo ele mesmo. Em versos, diálogos ou prosa, sentimentos subterrâneos e assombrações difíceis de lidar sem a potência da arte emergem aqui. O estranho, o estranhamento, as agruras, a angústia, as palavras e as criaturas todas são integrantes dos cenários e das histórias apresentadas. Tudo isso nos convida a perscrutar os ângulos mais obscuros, violentos, perversos e até masoquistas da história e da humanidade vistas a partir de um lugar bastante brasileiro e contemporâneo, porém, simultaneamente, intempestivo e até cosmopolita. Como diz Artur Costrino (UFOP), “não de outra forma se faz um ótimo livro” (extraído do Prefácio).
Banho-maria
R$34,90Nas águas de Ver navios (2007), este livro acolhe a mesma diversidade de formas breves. Os escritos (ao autor repugna a palavra “textos”) vão desde contos e crônicas, passando por poemas piadas ou poemas em prosa, até poemas tout court, sem prosa. O diálogo com Ver navios não é apenas genérico. Assim, “Fantasia coral” replica “A truta” schubertiana do outro livro…
O que talvez não se reproduz inteiramente é o estado de espírito do eu lírico-narrativo. À semelhança do primo mais velho…


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