Andre de Lemos Freixo inaugura sua bibliografia ficcional com textos de diversas épocas de sua trajetória. Em tempos de “positividades” tóxicas e charlatanismos mil, o autor mobiliza o desconforto como principal ferramenta para esculpir suas imagens através das palavras. Um livro “pesado e triste”, um “estorvo” e até, por vezes, “desagradável”, segundo ele mesmo. Em versos, diálogos ou prosa, sentimentos subterrâneos e assombrações difíceis de lidar sem a potência da arte emergem aqui. O estranho, o estranhamento, as agruras, a angústia, as palavras e as criaturas todas são integrantes dos cenários e das histórias apresentadas. Tudo isso nos convida a perscrutar os ângulos mais obscuros, violentos, perversos e até masoquistas da história e da humanidade vistas a partir de um lugar bastante brasileiro e contemporâneo, porém, simultaneamente, intempestivo e até cosmopolita. Como diz Artur Costrino (UFOP), “não de outra forma se faz um ótimo livro” (extraído do Prefácio).
estradas paralelas
R$14,90Depois de um encontro fortuito com um colombiano em Cusco, Tarsila deixa sua São Paulo natal e decide fazer da Bogotá dele sua nova morada, mesmo sabendo que lá não mudam as estações. Antes mesmo de por os pés em solo bogotano, ela se apodera daquele espaço e, sentindo-se fortalecida no papel de estrangeira, cria com a cidade uma intensa relação. Nela, praticamente sozinha, Tarsila decide recomeçar do zero.
“Estradas paralelas” é seu romance de estreia. “Pequenos Exílios” é uma coleção de relatos ficcionais de viagem, elaborados por escritores que possuem em suas trajetórias uma experiência radical em solo estrangeiro. As cartografias destes pequenos desaparecimentos ecoam a proximidade entre viagem e literatura de toda uma vasta genealogia de escritores aventureiros. Entre legados e pressentimentos, estes “Exílios” acolhem o testemunho da alteridade e do desamparo, da vertigem e do desenraizamento, de um continente que constitui sujeitos e identidades mais assentados nas polifonias da estrada que nos costumes da terra.“Pequenos Exílios” é um manifesto não escrito de gêneros transnacionais. É um atestado de pertença ao desassossego e de recusa a endogamias artísticas. A trama de idiomas outros na textura da língua mãe.


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