Barthes diz que não foram os pintores que inventaram a fotografia, mas os químicos. Eu diria que, antes dos químicos e dos pintores e daquele velho ancestral que encheu as paredes de uma caverna de bisões avermelhados, animados pela luz e pela sombra, foram os poetas, esses seres de danação, essas crianças terríveis, que inventaram essa presença, para além da metáfora, da coisa, essa presença viva que certifica um movimento em sua própria ação de existir, que mais que o congela, atesta-o, que mais que o atesta, nomeia-o como real.
Cerejas azuis da meia noite
R$9,90O eu lírico da poética de Marisa Sevilha Rodrigues fala dos sentimentos e dos sentidos femininos, e espargem sensualidade em seus poemas. A nudez que se declara abertamente na poética sevilhana é a pele que se despe do desnecessário, para ficar apenas com o que importa verdadeiramente, o sentir mais profundo:
“Se o tempo não fosse tão ardil,
ficaríamos com nossas rugas
a entabular conversas íntimas”.
Suas delícias do prazer erótico são tão generosas com seu leitor, que se entrega às fantasias de amor, de encantos e feitiços. Mas, que ele não se deixe enganar por esse canto de sereia, pois inevitavelmente, será arrastado para outras experiências, bem mais intensas, como a dor física e moral, a traição, e a experiência da perda ou da morte.
Enfim, na antessala de Cerejas Azuis da Meia Noite está o gozo, mas as portas do sofrimento também se abrirão lá pelas tantas do livro, pois os poemas sevilhanos não estão livres da pobre condição humana. Assim é o destino de todo homem sobre a terra.
Um destino impregnado de ventura e desventura, tão bem captado e transformado em versos por essa poeta sensível ao que existe de mais recôndito e terrível nas nossas almas.


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