contos

Montado no ponteiro grande do relógio

R$14,90

Livro de estreia de Ricardo Filho para o público adulto, lançado exclusivamente em formato digital, Montado no ponteiro grande do relógio recupera a tradição do flâneur: figura que vaga despreocupadamente pela cidade encontrando ao acaso diversas possibilidades de construção de significados. Diferentemente da celebração da metrópole proposta pelo flâneur típico da Belle Époque, Ricardo Filho sabe que a cidade contemporânea acabou por catalisar todas as angústias e crises ainda não evidentes durante aquele início festivo da modernidade urbana. Não haveria mais o que celebrar. Ou haveria?

Com escrita seca e econômica, e certa casmurrice, Ricardo Fillho escreve minicrônicas que a todo momento nos fazem questionar quem é esse narrador que adora Rolling Stones, se entristece com os rumos da cidade de São Paulo e que, apesar de encontrar pequenas alegrias no cotidiano de cidades interioranas, é um homem urbano por natureza. Misturando ódio e lirismo, e um tipo de humor cada vez mais raro porque altamente reflexivo, identificamos no narrador do livro um sujeito capaz de concentrar e expressar todas as dores e as delícias de se viver a experiência caótica, mas irresistível, da vida na cidade.

Se muito do que foi prometido pelos famosos andarilhos parisienses de 100 anos atrás nunca se cumpriu, é certo que Ricardo Filho nos leva a refletir sobre a possibilidade de ainda se celebrar a vida na cidade mesmo com tantas frustrações. Apenas em meio ao caos urbano é possível criar um mínimo de sentido para as nossas vidas neste início de século.

Nebulosa fauna e outras histórias perversas

R$35,00

Nebulosa fauna & outras histórias perversas é um pequeno volume de contos, dez no total, que, trazendo histórias amorais, cruéis, acaba compondo um painel da nossa patética realidade. Da criança que descobre o amor pelo contato com um inseto sujo ao autor frustrado que se sente impotente diante das exigências do mercado, os contos vão desenhando personagens de profunda humanidade enfrentando o mal estar de ser civilizado. Assim, o leitor poderá descobrir o amor que ainda não ousa dizer o nome na amizade de dois velhos. O resgate de um antigo e imprescindível gesto perdido no tempo. As pequenas histórias trágicas que acontecem simultaneamente numa noite fria na rodoferroviária de Brasília. A tocante história de um burro e uma cachorra no céu dos bichos, num pequeno exercício de metalinguagem. São dez histórias perversas que nos ajudam a ver, nas brechas da luz do real, as pequenas crueldades que se escondem no dia a dia.

Nem parece que acontece

R$11,90

Neste livro surpreendente, Olga Curado junta retalhos de conversas casuais em circunstâncias aparentemente comuns do dia a dia. São relatos que vão do chocante ao absurdo, do assassinato do marido traidor ao encontro de velhinhas com vampiros, construídos na forma do diálogo. Porém, nesta obra nada é óbvio. Uma espécie de “vida como ela é” se descortina aos poucos conforme atravessamos as camadas de situações inesperadas que vão sendo costuradas num cotidiano cheio de humor desconcertante.

O Grande Arcano

R$11,90

Uma história de amor frustrada, e revivida por dois amantes num reencontro cheio de paixão, expiações, e tentativa de compreender o que não aconteceu, no desespero de mudar o destino. Será que eles conseguem?

O texto é apresentado na forma de diálogos convidando o leitor a mergulhar na experiência dos personagens.

O Grande Arcano é inspirado na sequência das cartas do Tarô que descrevem a trajetória humana pela cronologia dos arcanos, os símbolos que marcam cada momento da vida.

O livro dos sentimentos

R$9,90

Ter que falar sobre poesia é uma missão inglória, a graça da coisa é escrever poesia. Tentar explicar a poesia é dedicar-se ao fracasso. A poesia é como os sentimentos, falamos muito sobre eles mas nunca os esgotaremos em explicações.

Escrever um texto para convencer alguém a ler um livro de poesias é, na mesma medida, estranho e improfícuo. A poesia deve ser chamada pelo coração. Se você ouve o chamado de uma voz da sua infância ou de um amor suspenso ou de um dia inconcluso; sinta a poesia.

Orelhas

R$14,90

São 39 textos de orelhas de livros inexistentes. Ou inexistentes por enquanto. Talvez livros que estejam sendo escritos em algum lugar do mundo enquanto sua orelha foi pensada. Livros que nunca existiram e jamais existirão. Livros em línguas estrangeiras, em línguas mortas, inventadas. Exemplar único numa biblioteca bombardeada em Aleppo, molhado no fundo da carroça do morador de rua que percorre a cracolândia. Um manual. Um catálogo de uma exposição em uma galeria que já não existe mais. Um livro infantil que caiu atrás da cama e só será encontrado depois que a família se mudar. Enfim, livros imaginados.

Os viajantes & outras narrações breves

R$11,90

Neste livro em prosa, o poeta Ronald Polito insere com sofisticação reflexões filosóficas na trama delicada da ficção.

Dividido em quatro partes distintas entre si na temática, Polito em todas elas desafia os limites da linguagem e da verossimilhança. Viagens espaciais com referências borgianas; paródias de A metamorfose de Kafka; cenas circenses que esbarram no nonsense. Eis alguns dos destinos das viagens que o autor nos proporciona.

Um livro incomum no atual quadro da literatura contemporânea.

Passa pra dentro, menina!

R$14,90

Para começar, o título deste livro me pega pelo ouvido. É uma voz (imperiosa) que vem de longe, lá da infância. Passo pra dentro do livro e sigo o percurso poético/existencial de Olga Curado em busca de um encontro/reencontro consigo mesma, numa viagem de volta a um mundo de singelezas. Mas nem só de singelezas vive a poesia, muito menos este livro. A poeta se interroga, pergunta, apresenta os seus achados: (“a vida é paralela aos shopping centers”), sente vontade de comer melaço de rapadura em Goiás Velho, onde se pode (ou se podia) andar descalço, cumprimentar na esquina a menina que vendia banana ourinho, cantar na procissão de Nossa Senhora do Rosário… rezar um rosário! Na sua caminhada, passam os temas eternos, como o amor, a paixão, a liberdade, ou da atualidade, como a psicanálise, a aids e uma cosmopolita Babilônia revisitada chamada Central Park.

(trecho da apresentação, por Antônio Torres)

Por que os loucos escrevemos livros tão bons?

R$14,90

“Gostei muito da ideia desse engolidor de vogais… estupenda!”
José Castello

“Gostei muito de Por que os loucos pela originalidade, pelo seguro domínio da forma, pela superposição de realidade e ficção, e pela temática.”
Moacyr Scliar

Por que os loucos escrevemos livros tão bons reúne quinze contos começando por um exercício narrativo cuja forma se assemelha ao tema subjacente a todas as narrativas do livro: o duplo. “O engolidor de vogais”, o primeiro conto, leva ao extremo a demanda por inovação de uma literatura que se autodenomina pós-moderna, erigindo em torno do personagem um muro de isolamento e alienação, que só faz afastá-lo dos potenciais leitores. “Wall Street Journal” é o diário íntimo de um escritor que encontra na doença mental um alívio para sua recusa em escrever, vítima de um misterioso mal cuja semelhança com o Bartleby de Melville parece perturbá-lo. “A pedra”, “O autista literal” e “Writer´s block”, cada um a sua maneira, descrevem escritores em situações-limite com o fazer literário e as saídas, ou melhor, os impasses que encontraram para dar sentido ao inominável em suas obras. “Ks”, “O caso Borges”, “O inconsciente de Schmitz” e “Maupassant” ficcionalizam a biografia de escritores como Kafka e Svevo a fim de examinar as relações entre loucura e escrita literária.

Na verdade, desde a primeira narrativa, passando pelo conto que dá título ao livro, espelho da vida e da obra do dramaturgo Qorpo-Santo, até “Interimário”, recorte biográfico nada lisonjeiro sobre o Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, o que mais chama atenção é o domínio da narrativa, cuja estrutura parece ter sido criada na medida certa para abarcar a superposição de realidade e ficção contidas nesses contos que se aproximam do absurdo da condição humana.

Respirando

R$8,90

“Quem tem um alien desenvolvido sofre e faz sofrer. Há relações entre os aliens de duas pessoas que se consomem mutuamente. É tristeza que transborda e machuca, um desperdício de tempo e vida.

Aliens são sabotadores da felicidade. Ao primeiro sinal de bem-estar, lá vêm eles apontando o que está errado, buscando a porta de saída, olhando o que falta, o que poderia ser diferente. Sim, aliens adoram o futuro do pretérito: poderia, deveria, seria, estaria, melhoraria, gostaria. Tudo iria, mas não vai, porque o alien vive da incompletude, da falta, da incerteza, da dúvida. Aliens se alimentam do ideal que não chega.

Aliens detestam dormir junto, pernas enroscadas debaixo do cobertor, Sessão da Tarde em dia frio, pipoca, vinho e bate-papo, música, viagens e todas essas coisas que aproximam as pessoas da essência do encontro. Aliens gostam de jogos, de manipulação, de bancar o detetive, de traição, de culpa, de expor as fraquezas do outro, de torná-lo menor, de virar as costas, de dubiedade, de confundir. Aliens adoram a escuridão, o que não é dito, profecias autorrealizadas. Aliens adoram a frase ‘Eu te disse!’.”

Safada

R$9,90

Polêmica, a autora homenageia Catherine Millet e Paulo Coelho numa ousada mistura de orgia e misticismo, sexo e magia. Sua prosa clara e engajada não falha em impactar o leitor para além do bem e do mal. Em tempos de moralismos exacerbados, esta obra é um manifesto pela liberdade, original e divertido, que nocauteia sem medo essas bandeiras empoeiradas.

Um homem burro morreu

R$14,90

“O escritor Rafael Sperling é sem noção, digo desde logo. Para você ter ideia, este Um homem burro morreu é seu segundo livro de contos. Isso mesmo, um livro de contos contemporâneo e brasileiro – onde já se viu? Todo mundo sabe que conto não vende, que quase ninguém lê conto nesse país e que são poucos os prêmios para contistas… Ainda assim, Sperling dá uma de criança travessa e vem com este livro. É mole? Não espere o realismo social, a autoficção e a exploração dos universos íntimos que predominam nas publicações atuais: além de sem noção, Sperling é abusado. Investe no experimentalismo e dialoga com as vanguardas dos anos 20 e 30. Em 27 narrativas breves, mistura sarcasmo com elementos grotescos e nonsense, embalados por uma linguagem coloquial que remete ao cinema, ao roteiro de TV, à publicidade, à dramaturgia, à musica e à poesia. Esse hibridismo de formas, por sinal, é marca de Sperling: o incauto leitor é conduzido por seu reino literário subterrâneo, onde há espaço de sobra para a ultra-violência, a sexualidade agressiva, o absurdo cotidiano e a aniquilação. Seja através de Caetano Veloso se preparando para atravessar uma rua do Leblon ou de histórias nada sutis contadas por uma babá, Rafael Sperling parte do normal, do ordinário para chegar ao seu bizarro universo simbólico, onde as ações despropositadas e aparentemente vazias de seus personagens ganham contornos de crítica social. A violência quase sempre está presente, provocando o leitor mais recatado. Rafael Sperling é um autor sem noção, abusado e provocativo. Por isso tudo, nesses tempos de mesmice, um autor necessário.” (Raphael Montes)