Após um divórcio que o reduz a uma vida mínima, um professor se instala em uma quitinete no centro da cidade e tenta reorganizar sua existência entre livros, memórias e ruínas pessoais. Em Derrocada, Tiago Ferro constrói um romance intenso e perturbador sobre uma consciência em crise, onde o pensamento não consola amplifica o mal-estar. Entre referências literárias e reflexões sobre política, universidade e vida contemporânea, o narrador se move em espirais de ideias que revelam um mundo já esgotado de sentido. Nesse movimento, ecoa a influência de Thomas Bernhard, mas deslocada: aqui, a repetição não é apenas crítica corrosiva, e sim sintoma de uma deterioração que já se consumou, sem promessa de reversão. Mas é a irrupção fragmentária de um passado familiar violento que desestabiliza ainda mais esse equilíbrio precário, infiltrando o mal não como exceção, mas como herança. À medida que o íntimo e o histórico se confundem, Derrocada expõe as tensões entre lucidez e paralisia, crítica e impotência, pensamento e ação. O pequeno espaço de um apartamento torna-se o cenário de uma investigação radical sobre a experiência contemporânea onde a queda pode ser também uma forma de ver com clareza. Um romance literário denso e provocador sobre os limites da consciência, da memória e da própria ideia de sentido.
A vida dos pinguins
R$32,90Estes pinguins de Airton Paschoa parecem aves, bichos, mas são humanos – especialmente humanos, fundamentalmente humanos, que é o que de fato interessa – aparentemente provenientes dos cronópios e famas de Júlio Cortázar e dos bichos-humanos subterrâneos nascidos de Kafka, mas talvez de outras origens, que falam de uma humanidade nos limites do quase nada, mas falam de si e de nós todos. Trata-se de uma fala de mínimos limites, de mínimos argumentos ou constatações, um mundo semifalante, como se a palavra…


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