Após um divórcio que o reduz a uma vida mínima, um professor se instala em uma quitinete no centro da cidade e tenta reorganizar sua existência entre livros, memórias e ruínas pessoais. Em Derrocada, Tiago Ferro constrói um romance intenso e perturbador sobre uma consciência em crise, onde o pensamento não consola amplifica o mal-estar. Entre referências literárias e reflexões sobre política, universidade e vida contemporânea, o narrador se move em espirais de ideias que revelam um mundo já esgotado de sentido. Nesse movimento, ecoa a influência de Thomas Bernhard, mas deslocada: aqui, a repetição não é apenas crítica corrosiva, e sim sintoma de uma deterioração que já se consumou, sem promessa de reversão. Mas é a irrupção fragmentária de um passado familiar violento que desestabiliza ainda mais esse equilíbrio precário, infiltrando o mal não como exceção, mas como herança. À medida que o íntimo e o histórico se confundem, Derrocada expõe as tensões entre lucidez e paralisia, crítica e impotência, pensamento e ação. O pequeno espaço de um apartamento torna-se o cenário de uma investigação radical sobre a experiência contemporânea onde a queda pode ser também uma forma de ver com clareza. Um romance literário denso e provocador sobre os limites da consciência, da memória e da própria ideia de sentido.
Sujeito Oculto
R$14,90Plágio. Remix. Apropriação. Qualquer que seja a palavra usada, o tema subjacente a este romance premiado com a Bolsa Petrobras de Produção Literária é roubo. Com todas as letras. Construído a partir de um corta e cola de palavras e frases subtraídas de outros livros, num processo de montagem explicitado pelo ousado projeto gráfico, Sujeito oculto cria um jogo de espelhos infinitamente recuado em que o autor nunca é quem parece ser.
Afinal, quem seria o autor deste romance senão mais um personagem, que apenas não sabe que está participando do jogo literário? Tecido a partir de citações, frases feitas e ideias de segunda mão, Sujeito oculto embaralha deliberadamente conceitos como autenticidade e originalidade, mesclando gêneros como ficção, biografia e crítica literária.
E levanta a questão: é possível ser, ao mesmo tempo, original e cópia? A resposta a essa e outras perguntas pode estar nas margens dos livros de uma aspirante a escritora que morre pouco tempo depois de ter feito um seguro de vida. Nos depoimentos de um homem que descobre por meio de frases soltas e sublinhadas a vida secreta da mulher que perdeu para sempre. Ou ainda na reação da jovem esposa que lê estes mesmos livros com outros olhos, dez anos depois. Ou nos rastros deixados por uma autora premiada que não se importa de ser vista como falsificadora, porque assim encobriria a verdadeira natureza de seu romance. Ou mesmo no posfácio de um crítico que tenta guiar o leitor em um labirinto de referências literárias e espelhamentos que encobrem um drama familiar de forte carga emocional.
A trama tem todos os elementos de um romance clássico: amor, ódio, traição, ambição, personagens marcantes, reviravoltas e até uma morte suspeita. Com o tempo, percebe-se que o enredo tradicional e a forma inovadora tratam de temas correlatos: filiação, herança e apropriação.
E roubo.


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