Autor(a)

Kátia Bandeira de Mello Gerlach

Natural do Rio de Janeiro e radicada em Nova York, formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Publica no Jornal Rascunho e na Revista Cenas (Centro Cultural Raimundo Carrero).  Colisões BESTIAIS (Particula)res é o seu terceiro livro de contos. Antes, publicou Forrageiras de Jade (2009) e Forasteiros (2013), e lançou Jogos (Ben)ditos e Folias (Mal)ditas em 2016.

Livros do(a) Autor(a)

Colisões bestiais (particula)res

R$14,90

“Logo na primeira frase, o projecto: “Desde o bosão de Higgs, gente e bestas esbarram-se.” Animais, humanos e acontecimentos: eis o que esbarra, o que colide, o que provoca acidentes.

Muitos bichos — formigas, papagaios. Bichos grandes e pequenos, bichos que andam na cabeça (por cima e por dentro). A linguagem rápida; as frases descrevem, acertam nos eventos observados com olho clínico. Olho que se mexe.

Muitos autores convidados (gentileza da hospitaleira Kátia): Cortázar, Borges, Bolaño, David Foster Wallace e etc.

Mendigos e muchachas subnormais, mulheres que protegem e julgam. Personagens como Juarez, jogador, pornógrafo e muitas coisas — e ainda etc. Humor e sarcasmo, sempre presentes.

A minha amiga Kátia Bandeira de Mello Gerlach escreveu um belíssimo livro: ritmado com a batida que convém à língua; histórias e frases em jazz corrido; jazz alegre. Deixo um exemplo, de “Cuspe no aquário”: “Se me perco nas ruas numeradas, zombam de mim? Os peixes morrem no aquário. Alimento-os nas manhãs. Correm afoitos para engolirem o pó granulado de odor marinho, e à tardinha eles já, já morrem. Por vezes, nascem filhotes e não sobrevivem, solúveis como os grãos. Difícil distinguir mãe e pai; nadam sem expor o sexo, embora corram uns atrás dos outros com ímpeto em momentos espontâneos e certos. Perecem para a minha redenção: um mecanismo medonho nos liga e transcende. Olham-me pela transparência do vidro e reconhecem-me, a mulher perdida nos números, a mulher ¥p¡@.”

Este COLISÕES, de Kátia Bandeira de Mello Gerlach, é um livro insolúvel, ele aí está — alegrando o espaço.”

Gonçalo M. Tavares

Jogos ben(ditos) e folias (mal)ditas

R$14,90

“O leitor que degusta os deliciosos e riquíssimos contos deste livro de Katia Gerlach provavelmente vai também comprar pão na padaria, ir à uma casa de campo, voltar à infância e viver experiências nunca dantes vividas, tudo sem sair do lugar físico.

É que o corpo aparentemente inerte está, na verdade, flutuando por passagens e paisagens que lhes dão a possibilidade da presença simultânea. A física quântica pode lhe provar isso. E é exatamente com as vicissitudes do mesmo espaço-tempo que Katia magistralmente joga em seus contos.

Seus personagens, ordinários para o cotidiano, mas extremamente viajantes e profundos para a literatura, nunca estão no mesmo lugar, mesmo quando a ação parece única. O fio condutor de suas histórias não é reto, nem se apega à lógica, assim como nosso cérebro e nossas vivências. Mas o trunfo de Katia, e sua assinatura mais peculiar, é brincar com o vaivém de modo a não fazer o leitor perder a história de vista.

Katia transcende o cotidiano e conecta a alma humana ao concreto da rua, que acaba pulsando, como neste trecho “Vera morava no batimento retangular que cobria o quarteirão inteiro, onde tombavam pedras sobre pedras como condenação”. E dá de presente aos seus personagens a opção de estar sem estar, esta que todos nós desejamos durante as formalidades diárias: “Sem cumprimentá-lo, a militante quis fazer-se transparente na sua intimidade”.

As construções narrativas aqui são poéticas sem serem pedantes; são simples sem serem simplórias e mostram o domínio literário de uma artista que não só escreve com refino espontâneo, como também nos presenteia com ilustrações alegres e intensas.

Katia Gerlach respira literatura e sua literatura exala muitas vidas. São vidas que saltam das folhas deste livro, as quais, sem pestanejar, convido ao leitor inalar, porque estes contos, com crônicas enxertadas, engrandecem nossos espíritos e nos dão asas que quebram as parcas linearidades do ilógico cotidiano.

Para o Ben e para o Mal. ” (Thiago Mourão )